Eu não sou você, você não é eu
por Bruna Eugênia Sardeiro Pereira, publicado em 01/09/2008
"Eu não sou você, você não é eu. Mas sou mais eu, quando consigo lhe ver, porque você me reflete". Madalena Freire em seu livro "A paixão de conhecer o mundo", descreve perfeitamente o convívio em grupo, reforçando que cada indivíduo é diferente, porém, suas diferenças surgem das semelhanças.
Essa sociedade repleta de modismos, extremamente influenciada pela mídia, que só conhece a conjugação dos verbos "ter" e "ser" interligados, nada mais é do que a consequência do egocentrismo e individualismo predominantes no sistema atual.
É comum ouvir pessoas falando que usam determinados acessórios, cortes de cabelos, para não serem confundidos com as "Marias vão com as outras", entretanto, as modas que surgem na maioria das vezes já existiram e voltam agora apenas reformuladas de acordo com as evoluções culturais. Portanto, a partir do momento que alguém vê-se igual aos outros e o "tal estilo" não chama-lhe atenção, imediatamente mudará, assim, na tentativa de não sofrer a influência do outro parecendo-se com ele, ainda que de maneira contrária será influênciado ao querer diferir-se dele.
Normalmente fala-se que as características físicas e psíquicas de cada indivíduo, são determinadas em 50% genéticas e 50% influência do meio. Embora essas sejam observações do senso comum, é claramente perceptível que os comportamentos e ideologias são correspondentes aos grupos sociais. E como já dizia o grande dramaturgo Shakspeare, "ser ou não ser"? O mesmo reconhecia que o mundo é um palco e as pessoas meros artistas, que vivem a mudar de figurino conforme as cenas. Assim, mesmo sabendo que "eu não sou você, você não é eu, sei muito de mim vivendo com você".
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