Violência infantil
por Gilson Vasco, publicado em 12/06/2009
Não é de hoje que existe a violência, seus primeiros procedentes datam de períodos seculares. De acordo com dados bíblicos ela surgiu quando Caim matou seu irmão Abel e daí em diante só tem aumentado e, o que é pior, com uma enorme explosão constrangedora de casos cada vez mais absurdos. Cientificamente falando a violência surge no ato sexual, isto é, desde o princípio, uma vez que para estar vivo é preciso deixar milhões de irmãozinhos (espermatozóides) mortos no caminho, no ato da concepção, pois se assim não fosse não estaríamos vivos, selecionados entre milhões como o melhor e mais preparado (se é que existe preparo) para enfrentar esta vida. O que nem por isso nos torna violentos. Mas na conquista de espaço, no fazer respeitar, a violência se opõe à diplomacia e com isso, o indivíduo que consegue controlar seus impulsos são cidadãos pacificadores, do contrário são violentos e através da repressão, seja no seio familiar, nas ruas ou em qualquer lugar são punidos violentamente, severamente.
Discute-se demasiadamente a questão da redução da maioridade penal de dezoito para dezesseis anos como estratégia de diminuir a criminalidade e para isso defende que o adolescente que já sabe votar possui consciência plena para ser responsável pelos seus atos. Defendo a idéia de que um jovem com dezesseis anos tenha sabedoria para discernir o bom do ruim ou o certo do errado, já tive essa idade e desde então já conhecia essas antíteses, mas repudio a idéia da redução da maioridade penal, pois não são poucos aqueles de idade avançada e ainda assim nem aprenderam sequer a votar. Esse discurso desnecessário de redução penal é na verdade uma forma, na qual aqueles que se acham dono do poder encontrou para tentar camuflar a problemática em que a sociedade brasileira estar sucumbida.
O que devia ser prática ou pelo menos estar em pauta era a discussão de políticas educacionais voltadas à qualificação e preparação dos jovens para a vida em sociedade, não se discute sequer o papel da sociedade perante a formação das crianças. Muitos filósofos, dentre eles Aristóteles já nos atiçavam para uma consciência de como conduzir nossas crianças para que futuramente estas se tornem homens de bem, mas o que estamos fazendo é tudo ao contrário: Enquanto a família, base que devia contribuir com a formação consciente dos indivíduos, submete a criança e adolescente a uma espécie de violência psicológica e física a sociedade os provoca a ser o que são. Estigmatizados descobrem nas drogas e, posteriormente, na violência uma suposta solução para seus conflitos, rancores e penares.
A própria mídia, veículo capaz de informar e formar opiniões parece ignorar uma realidade desestruturadora da sociedade por aproveitar do momento desolador e esquece a razão, ou seja, está mais preocupado em divulgar fatos trágicos do que contribuir para a redução do extermínio infantil.
Temos que começar a pensar o modelo de sociedade que queremos para nós e para as gerações futuras, e queremos uma sociedade justa onde nossas crianças serão educadas no seio familiar, pois se continuar dessa forma, a violência vai aumentar cada vez mais. A situação cada dia que se passa vai ficar mais caótica, a vida será sempre um risco e, viver ou morrer, vai depender mais da sorte do que da segurança que o Estado diz oferecer. Deve ser no seio familiar, na igreja e na escola a preparação para nossas crianças de hoje se tornarem verdadeiros adultos amanhã. A criança que violentada hoje é, sem nenhuma dúvida, o adulto que baterá amanhã.
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