Torcedor Anônimo
por Gilson Vasco, publicado em 11/08/2009
Recentemente recebi uma prazerosa missão de acompanhar um garotinho fanático pelo Goiás Esporte Clube ao estádio de futebol para assistir a uma decisão que para mim era só mais uma partida, mas para ele era, talvez, a principal partida de futebol de sua vida. Dois principais motivos ele teria para assistir ao jogo da final do Goianão 2008: primeiro porque sempre tivera vontade de ir a um estádio e seu pai ainda não havia permitido a sua ida, temendo a violência que, às vezes, assola nessas "arenas". Segundo porque era o Goiás Esporte Clube, seu time do coração quem estava disputando a final contra o Itumbiara, time do interior.
Na realidade o menino não era bem um garotinho e sim um adolescentezinho, mas como ainda não havia ido a um estádio e naquele dia seus pais não poderiam levá-lo, bem como deixá-lo sem ir, tampouco, encaminhá-lo por qualquer uma pessoa. Diante dessas dificuldades a pessoa mais indicada fui eu.
O menino visita a casa de minha família desde pequenino, toda a minha família gosta muito dele e como o seu pai estava trabalhando tive de levá-lo ao Estádio Serra Dourada e no fundo eu estava torcendo para levá-lo pela primeira vez a um lugar assim.
Fiquei imaginando a emoção do menino, quantas sensações novas o moleque viveria naquele dia. Pela primeira vez em sua vida iria se juntar aos milhares de torcedores voltados a um só objetivo: prestigiar de perto um jogo do seu time e torcer por mais uma vitória esmeraldina.
Minha tarefa era levá-lo ao estádio em segurança e zelar pela sua integridade, em momento algum prometi torcer pelo seu time, pois na verdade estava sonhando com a vitória da outra equipe. Lógico que inicialmente eu não estava torcendo com o coração, somente com a razão. O adversário já conquistou dezenas de títulos estaduais e o meu favorito tentava um título inédito, para ser sincero era a primeira vez que conseguira chegar a uma final estadual.
O problema era como fazer para não desapontar o garoto. Por questão de segurança o estádio foi dividido em duas alas, sendo uma maior para a torcida do time da Capital e outra menor para o visitante. Eu devia ir para a ala do visitante, time para o qual eu estava torcendo. O menino, torcedor do time da casa devia se dirigir para a ala maior, mas como cuidar de alguém que não estar perto de você? Resolvi comprar uma camiseta com as cores do time do moleque, fui junto com ele para onde estava a grande torcida e de lá enquanto ele torcia pelo seu time do coração eu vibrava disfarçadamente pela outra equipe. Da boca para fora eu gritava com a voz verde o nome do time dele e o meu ego tricolor vibrava cada vez que o time visitante aproximava do gol adversário.
O pentelho gritava, levantava, sentava e eu admirava a sua inquietude. Percebi que ele teria entrado em campo se lhe fosse permitido. Fiquei lisonjeado ao ver um torcedor tão pequeno, mas tão fiel. Ele faltava chorar quando seu time estava desprovido da posse de bola. Realmente Fillipe Teles é um esmeraldino de coração.
Fim do jogo meu time havia marcado três gols e o time adversário estava com zero. Ao mesmo tempo em que gostei da vitória, fiquei entristecido pelo moleque ver o seu time perder a primeira vez que foi num estádio. No íntimo ele gostou da experiência e no fundo admitiu ser a outra equipe merecedora do troféu. É verdade, a equipe do Itumbiara jogou primorosamente.
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